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“No momento doendo em toda parte, fazer rimas aqui é mais do que arte” — Ponta da caneta (PLP)

Homicidas, traficantes, inocentes 

um fedor doente 

Crente discernindo gente  

à espera do ser inexistente 

Esperando receber um presente

homofóbicos carentes serão abduzidos pelo monstro reluzente 

Possivelmente sou um único descontente

nesse mar de mente 

Põe no papel só o que sente

sem remetente

O medo do que vem pela frente

só espero que não seja permanente 

O zumbi intergaláctico morreu há dois milênios

é muita insanidade pedir a ele um prêmio

Sei que não sou gênio

mas acreditar que o cara abriu o mar é blasfêmio 

Fazer o bem sem olhar a quem 

esse é o ensinamento 

Pra quem não entendeu, 

eu lamento 

No momento doendo em toda parte 

fazer rimas aqui é mais do que a arte 

É tratamento 

um minuto de escuro eu queria 

Ou sair daqui pra abraçar minha família

Indecência do Estado construir buracos e manter milhões trancados 

pra segurança de quem transporta tonelada de farinha

Vai na televisão dizer que defende a família 

com licença, senhor, baixa a cabeça ladrão

Espera no domingo ver seu time campeão 

talvez te ofendi

Mas sem inverdade 

Eu não tenho maldade, minha caneta não se cala

Só Ela tem a liberdade.

 

PLP 10.07.15


 

PLP – Pseudônimo de Philipe Menezes, que esteve encarcerado de 30/05/13 até 10/09/15. Este poema foi escrito no interior da prisão. Atualmente, PLP escreve poemas regularmente, dedicando-se a defender a causa palestina. É comerciante e mora em Cotia-SP.