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Esse movimento em curso nas terras psicanalíticas inaugura um programa continuado. Às voltas com os impasses do horizonte da subjetividade de nossa época, criamos um espaço livre para formulação de perguntas sobre os limites de nossa práxis, sobre os fundamentos de nosso saber, sobre o gozo singular que impera adestrado em nosso contemporâneo.

O programa pretende enumerar as perguntas para as quais já vivemos as respostas, sem termos criado o tempo de sua nomeação. A clínica psicanalítica, na sua experiência mais íntima, é interrogada pelos movimentos sociais e feministas, pelas teorias críticas, pelo mal-estar colonial. E, desde fora, recebe o impacto das transformações do mesmo, que atualizam os modos de sofrimento, de resistência, de criação.

Em livros e textos reunidos por psicanalistas e afins, inauguramos um espaço do ser onde não pensamos, traídos pelo desejo, num desenho em que a imagem se constitui a cada pincelada, subvertendo a ideia original.

A cada semana com um texto novo, a cada ano com novos livros e cadernos de nota, esperamos forçar a necessária presença da herança colonial nos confins do mundo em que habitamos: nosso corpo. Nosso centro, latino, desde o qual a transmissão da psicanálise se renova universal e torna viva a lâmina afiada da língua mãe.

Em obras coletivas e obras autorais, nacionais ou estrangeiras, num continuum após a ruptura de seu ato de inauguração, buscamos recolher o saber-fazer com o resto que escreve respiradouros para uma psicanálise que carece de novos ares. Além dos livros, a cada semana, comporemos notas e sabores sobre psicanálise e decolonização, com ideias originais que interrogam o hábito sem dilacerar nosso cotidiano.

> Sinta-se parte <

Andréa Guerra

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