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André Arçari, Bruno Zorzal, François Soulages (Orgs.)

Filme-vídeo: imagens em movimento, imagens em fricção

“Há quase tantos estilos cinematográficos quantas são as sequências de Close-Up”, escreve Youssef Ishagpour sobre o cinema de Abbas Kiarostami. A afirmação aponta para um campo em tensão: entre realidade e ficção, entre o visível e o dizível, entre o dentro e o fora da imagem. Um campo em fricção. É dessa fricção – entendida não como efeito, mas como operação fundamental da criação – que parte este livro. Presente nas obras de Kiarostami, nas montagens de Godard e em tantas práticas experimentais, ela atravessa e desestabiliza categorias, fazendo vacilar distinções consolidadas entre cinema e vídeo, arte e linguagem, documento e invenção.

Título: Filme-vídeo: imagens em movimento, imagens em fricção
Autores: Aline Dias, André Arçari, André Parente, Angela Grando, Bruno Zorzal, Cao Guimarães, Dominique Chateau, François Soulages, Hal Foster, Hermano Callou, Hito Steyerl, Katia Macial, Livia Flores, Lucas Murari, Luiza Baldan, Michel Sicard, Murillo Paoli, Peter Weibel, Philippe-Alain Michaud, Raquel Garbelotti, Rubiane Maia, Solon Ribeiro
Organização: André Arçari, Bruno Zorzal e François Soulages
Preparação: Ana Godoy
Revisão: Fernanda Mello
Ano: 2026
N˚ de páginas: 374
Dimensões: 23 x 16 cm
ISBN: 978-65-6119-053-4
Preço: R$ 132

Aqui, a fricção não resolve: ela abre. Cria intervalos, fissuras, zonas de passagem. É nesse espaço que emerge o conceito de filme-vídeo – não como soma de meios, mas como território híbrido, instável, onde imagens e dispositivos entram em curto-circuito. O hífen, mais do que ligação, funciona como força ativa: um operador conceitual que tensiona e aproxima.
Reunindo artistas e pesquisadores, a publicação se constrói a partir dessas zonas de contato. Em vez de delimitar campos, investiga deslocamentos: entre o cinema e as artes visuais, entre o espaço da sala escura e o da exposição, entre práticas autorais e reflexões teóricas. As imagens em movimento aparecem, assim, menos como formas estabilizadas e mais como processos em disputa.
Ao longo de seus cinco movimentos, o livro percorre experiências, conceitos e obras que exploram essas fricções – da estética à política, da história às práticas contemporâneas. Em comum, a recusa de fronteiras fixas e o interesse por uma ideia de imagem que se constrói no atrito, no desvio, na transformação.
Mais do que mapear um campo, Filme-vídeo: imagens em movimento, imagens em fricção propõe um modo de pensar: ver o cinema (e o vídeo) a partir de suas bordas, de seus atravessamentos, de suas instabilidades. Ali onde as imagens deixam de coincidir consigo mesmas – e, justamente por isso, ganham potência.

André Arçari é graduado em Artes Visuais (2014) pela UFES, mestre em Artes (2018) pela mesma instituição e atualmente é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais – Escola de Belas Artes / UFRJ (2020-), onde foi bolsista CAPES-PROEX (2022-2024). Realizou um período sanduíche na Hochschule Hannover (2024-25) com bolsa CAPES-PDSE e atualmente é pesquisador visitante no Friedrich-Meinecke-Institut da Freie Universität Berlin (2025-) com bolsa concedida pelo Deutscher Akademischer Austauschdienst – DAAD. É integrante do grupo de pesquisa Laboratório de Pesquisa em Teorias da Arte e Processos em Artes, LabArtes-UFES (2012-atual). Artista multimídia, pesquisador, teórico e crítico independente, tem como interesse problemáticas ligadas ao vídeo, cinema e fotografia, narrativas em abismo, dispositivo, looping, silêncio e zen-budismo.

Bruno Zorzal é artista visual e pesquisador, doutor em Estética, Filosofia e História das Artes Plásticas e Fotografia pela Universidade Paris 8 Vincennes – Saint-Denis, na França. Escreve e coordena livros de teoria da fotografia e das imagens no Brasil e na França. Realizou estágio pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Espírito Santo (PPGA-UFES), com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo(Fapes), ocasião em que foi pesquisador convidado na École des arts de la Sorbonne, Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, na França. Dirige a Cooperativa de pesquisa e criação RETIINA.Espírito Santo e é membro do RETIINA.International.

François Soulages é filósofo. Professor emérito da Universidade Paris 8 Vincennes – Saint-Denis e do Institut National d’Histoire de l’Art (inha), é presidente fundador da Cooperativa de pesquisa RETIINA.International (Recherches Esthétiques & Théorétiques sur les Images Nouvelles & Anciennes). Organizou cerca de trezentas conferências internacionais. Publicou mais de 100 livros, incluindo Estética da fotografia, perda e permanência (Senac São Paulo, 2010), publicado em 10 idiomas. Diretor de coleção: Eidos, Local & global & RETIINA.creation. Atua também como curador.