Topo
Renan Porto

Nas brechas de futuros cancelados

Este livro cruza a nebulosa experiência contemporânea e suas vertiginosas oscilações, agindo entre a agitação frenética das telas e a catatonia diante de futuros adversos que mobilizam a ansiedade sem dar qualquer sinal de resolução. Buscando capturar o devir dessas transformações, os vários ensaios deste livro perpassam as diferentes dimensões do capitalismo contemporâneo e suas formas de controle, formando um conjunto de experimentos com diversas correntes da filosofia contemporânea e tensionando seus limites ao explorar brechas por onde outros futuros se intrometem.

Título: Nas brechas de futuros cancelados: do pesadelo ciborgue à queda do céu
Autor: Renan Porto
Preparação: Flavio Taam
Revisão: Fernanda Mello
Ano: 2026
N˚ de páginas: 160
Dimensões: 21 x 14 cm
ISBN: 978-65-6119-076-3
Preço: R$ 79,90

Pensando na cabeça de Jequié e de Londres, do Rio e de Uberaba, como abrir uma brecha no amontoado de futuros cancelados? É aí que Nas brechas dos futuros cancelados entra. Não como um livro que a gente abre para poder fazer parte da comunidade de ninguéns para a qual Renan escreve, mas como um livro que abre a gente na direção dessa comunidade de ninguéns, que são também os materiais limítrofes, indisponíveis, desse bricolagem – como quem tenta refazer a manta Tupinambá no presente. Este livro não está nas brechas. Ele faz as brechas, e para isso conjuga uma dupla dimensão, que é também um duplo movimento. Ele inscreve uma travessia, um câmbio, e a entrada em jogo de uma nova configuração do pensamento de Renan. Numa primeira dimensão, este livro é um texto de ascese, envolvimento e vitrificação. Se eu tivesse de qualificá-lo de algum modo, diria que sua primeira metade são ensaios de somatização, isto é, manifestam na criação de uma rede semiótica de conceitos, problemas e tensões a passagem das dores imateriais do nosso tempo pelos corpos (e a dor que faz doer todas as dores se chama capital). Somatizando-as, Renan faz as dores muito espirituais do nosso tempo ganharem corpo, fazerem corpo, envolverem-se numa trama que nos envolve e que está por descerrar.

Renan Porto é do povoado de Florestal, distrito do município de Jequié na Bahia. É escritor e pesquisador transdisciplinar em pós-doutorado na Universidade de Silésia na Polônia e doutor em direito pela Universidade de Westminster. É autor dos livros O Cólera A Febre (Urutau, 2018), Políticas de Riobaldo (Cepe, 2021) e An Indigenous Cosmopoetics of Justice (Routledge, 2026).