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Sonja Hopf

Monstrolho, Olhifício, Minha Viagem com Félix (Guattari)

Minha história com Félix é longa

Eu o vi algumas vezes, nos anos de 1970, para dizer a ele que eu não conseguia trabalhar. E depois ia embora. Foi no outono de 1980 que voltei a vê-lo porque fui obrigada a cancelar uma exposição na Galeria Jean Briance. Depois de um verão inteiro de trabalho, eu não tinha nada para mostrar, ou quase nada. Félix disse: “Tudo bem, você não trapaceou com a sociedade”.

Ele concordou em me analisar, e eu estava pronta para isso.

Título: Monstrolho, Olhifício, Minha Viagem com Félix (Guattari)
Título Original: Œil-Monstre, Œil Trou, Mon voyage avec Félix
Autor: Sonja Hopf
Tradução: Hortencia Lencastre
Preparação: Graziela Marcolin
Revisão: Fernanda Mello
Ano: 2026
N˚ de páginas: 272
Dimensões: 23 x 15,7 cm
ISBN: 978-65-6119-050-3
Preço: R$ 160

Escrevia meus sonhos em uma folha de papel que levava para ele junto com as notas de trabalho. Em um primeiro tempo, eu evitava ritmos e rimas. Félix, pelo contrário, me encorajava.

No verão de 1982, por ocasião de uma temporada com minha família na Alemanha, fiz uma pergunta a meu pai que nunca havia feito sem mesmo saber que era proibida. De volta a Paris, deitada no meu sofá, na rua de Condé, número 9, disse a resposta a Félix. Ao me acompanhar até a porta, ele passou o braço em torno dos meus ombros. Nunca mais falamos sobre isso.

Em dezembro daquele mesmo ano, Félix disse: “A análise terminou e continua”.

E continuou até a morte dele. Foi então que comecei a fazer um livro daquelas folhas soltas e espalhadas que ele chamava de minhas “escrituras”. Félix tinha me encorajado a fazer isso e até mesmo encontrou o título: “Você não quer escrever A história de Sweety?

Escrevi A história de Sweety, colocando sua história de lado.

Nascida em 1940 na ilha de Sylt, na Alemanha, Sonja Hopf vive na França desde 1962. Nos anos 1960, foi membro da revista satírica Hara-Kiri. De 1980 a 1992, Sonja foi acompanhada por Félix Guattari. Dessa experiência nasceu uma obra literária: notas oníricas e reflexões sobre seu trabalho, reunidas décadas depois no livro “Minha Viagem com Félix Guattari”, uma obra que mistura textos, gravuras e pinturas, publicada pela primeira vez em 2015. Em 2025, ela publica este mesmo livro sob o título “Monstrolho, Olhifício”. Suas obras fazem parte de coleções públicas como a Biblioteca Nacional da França, o Museu Nacional de Arte Moderna-Centro Pompidou e o Fundo Nacional de Arte Contemporânea.