Topo
Gilles Deleuze e Claire Parnet

Diálogos

É muito difícil “se explicar” – uma entrevista, um diálogo, uma conversa. A maior parte do tempo, quando me colocam uma questão, ainda que seja algo que me interesse, percebo que não tenho absolutamente nada a dizer. As questões são fabricadas, como qualquer outra coisa. Se não deixam você fabricar suas questões, com elementos vindos de toda parte, de qualquer lugar, se as “impõem” a você, não há muito a dizer. A arte de construir um problema é muito importante: inventa-se um problema, uma posição de problema, antes de se encontrar uma solução. Nada disso se faz numa entrevista, numa conversa, numa discussão. Mesmo a reflexão, sozinho, a dois ou entre muitos, não é suficiente. Sobretudo a reflexão. Com as objeções é ainda pior. Sempre que me fazem uma objeção, tenho vontade de dizer: “ok, ok, vamos falar de outra coisa”. As objeções jamais levaram a coisa alguma. Acontece o mesmo quando me formulam uma questão geral. O objetivo não é responder a questões, mas escapar, livrar-se delas.

— Gilles Deleuze

Título: Diálogos
Título Original: Dialogues
Autores: Gilles Deleuze e Claire Parnet
Tradução: Eduardo Mauricio
Preparação: Gabriel Rath Kolyniak
Revisão técnica: Fernando Scheibe
Revisão: Fernanda Mello
Ano: 2026
N˚ de páginas: 212
Dimensões: 13 x 20 cm
ISBN: 978-65-6119-098-5
Preço: R$ 90

O leitor tem em mãos a melhor e mais bela introdução ao pensamento de Gilles Deleuze. Num estilo claro e fluente, em conversa com Claire Parnet, o filósofo francês apresenta as ideias que fizeram dele um dos mais importantes pensadores contemporâneos. Os conceitos inovadores sobre o desejo e o poder, a subjetividade e a criação são expostos para quem quiser enfrentar os desafios de hoje com as armas de hoje. Deleuze faz, aqui, um exercício agudo de cartografia do presente. Convencido de que a sociedade (e o indivíduo) se define menos por suas contradições do que por suas linhas de fuga, ele as vai desenhando, e da maneira mais simples e direta. O que pode um corpo, o pensamento, a escrita, a política ou mesmo a clínica? O filósofo indica as conspirações que se impõem, mas também as prudências salutares, e sobretudo as conjugações favoráveis para o que ele chamou de um direito ao desejo.

— Peter Pál Pelbart

Gilles Deleuze (1925–1995) foi um filósofo francês, um dos pensadores mais influentes e radicais do século XX. Escreveu sobre arte, cinema, literatura e psicanálise, criando conceitos como “rizoma”, “corpo sem órgãos” e “máquina desejante”. Sua obra, em parceria com Félix Guattari (como em O Anti-Édipo), desafia estruturas fixas e defende um pensamento nômade e plural. Sua filosofia celebra a diferença, a criação e a vida.

Claire Parnet é uma jornalista francesa famosa por ter coescrito com Gilles Deleuze (seu antigo professor) o livro Diálogos (1977). Trata-se de um livro de trocas, entremeado por perguntas, em que cada autor responde contribuindo com um bloco de texto. Onze anos depois, Parnet renovou essa experiência ao fazer um programa de televisão com Deleuze chamado L’Abécédaire de Gilles Deleuze (O Abecedário de Gilles Deleuze), no qual ela pedia ao filósofo que falasse sobre vinte e cinco temas apresentados em ordem alfabética. Na década de 1980, foi editora da revista L’Autre. Mais tarde, atuou como curadora de programas culturais de televisão, como L’Hebdo, de Michel Field, e L’Appartement (com Ariel Wizman), exibidos no Canal+.