É muito difícil “se explicar” – uma entrevista, um diálogo, uma conversa. A maior parte do tempo, quando me colocam uma questão, ainda que seja algo que me interesse, percebo que não tenho absolutamente nada a dizer. As questões são fabricadas, como qualquer outra coisa. Se não deixam você fabricar suas questões, com elementos vindos de toda parte, de qualquer lugar, se as “impõem” a você, não há muito a dizer. A arte de construir um problema é muito importante: inventa-se um problema, uma posição de problema, antes de se encontrar uma solução. Nada disso se faz numa entrevista, numa conversa, numa discussão. Mesmo a reflexão, sozinho, a dois ou entre muitos, não é suficiente. Sobretudo a reflexão. Com as objeções é ainda pior. Sempre que me fazem uma objeção, tenho vontade de dizer: “ok, ok, vamos falar de outra coisa”. As objeções jamais levaram a coisa alguma. Acontece o mesmo quando me formulam uma questão geral. O objetivo não é responder a questões, mas escapar, livrar-se delas.
— Gilles Deleuze



